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Prémio Leya atribuído a autor moçambicano (2009-10-12)
João Paulo Borges Coelho é o vencedor da segunda edição do Prémio Leya.



O júri do Prémio Leya, presidido por Manuel Alegre, deliberou conceder a segunda edição deste prémio ao romance O Olho de Hertzog, da autoria do escritor moçambicano João Paulo Borges Coelho.

O júri do Prémio Leya 2009 mantém-se inalterado relativamente à edição anterior, sendo formado por Manuel Alegre (presidente) e Nuno Júdice, ambos escritores, e José Carlos Seabra Pereira, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, o escritor Pepetela, Lourenço do Rosário, reitor do ISPU de Maputo, Carlos Heitor Cony, escritor, jornalista e membro da Academia Brasileira de Letras, e Rita Chaves, crítica literária e professora da Universidade de São Paulo. João Amaral, director-coordenador de Edições Gerais da Leya, é o secretário do Prémio Leya.

Com características únicas pela sua especificidade e valor, o Prémio Leya foi criado em 2008 no sentido de distinguir um romance inédito escrito em português.

No que ao vencedor desta segunda edição diz respeito e conforme se lê na acta do júri, "o romance vencedor restitui-nos o contexto histórico dos combates das tropas alemãs contra as tropas portuguesas e inglesas na I Guerra Mundial, na fronteira entre o ex-Tanganica e Moçambique, o confronto entre africânderes e ingleses, a emigração moçambicana para a África do Sul, a reacção dos mineiros brancos, as primeiras greves dos trabalhadores negros e a emergência do nacionalismo moçambicano, nomeadamente através da imprensa e dos editoriais do jornalista João Albasini".

O júri considerou a obra "um romance de grande intensidade, em que se conjugam a complexidade das personagens, a densidade da trama narrativa e a busca de O Olho de Hertzog, que é, de certo modo, uma metáfora da demanda do destino individual e colectivo e do nunca desvendado mistério do ser".

Recorde-se que O Rastro do Jaguar, da autoria do jornalista brasileiro Murilo Carvalho, foi a vencedora da edição de 2008 do Prémio Leya. Esta obra encontra-se desde Abril nas livrarias portuguesas e foi lançada no Brasil neste mês de Outubro.

O vencedor da segunda edição do Prémio Leya, João Paulo Borges Coelho é historiador e escritor moçambicano. Nasceu no Porto, em 1955, mas, sendo filho de pai transmontano e de mãe moçambicana, cedo foi viver para Moçambique e adquiriu nacionalidade moçambicana. Estudou em Moçambique, obtendo posteriormente doutoramento em História Económica e Social conferido pela Universidade de Bradford (Reino Unido) e licenciatura em História conferida pela Universidade Eduardo Mondlane de Maputo, em Moçambique, onde hoje ensina História Contemporânea de Moçambique e África Austral.

É, também, professor convidado no Mestrado em História de África da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Tem-se dedicado à investigação das guerras colonial e civil em Moçambique, tendo publicado vários textos académicos em Moçambique, Portugal, Reino Unido, Espanha e Canadá. Como escritor, estreou-se na ficção com As Duas Sombras do Rio, em 2003. Foi o vencedor do Prémio José Craveirinha, de 2005, atribuído em 28 de Março de 2006, com o seu livro As Visitas do Dr. Valdez. Moçambique é o principal pano de fundo de todo o seu trabalho de ficção.







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